No dia 25 de março, sob sol forte, minha missão era acordar cedo rumo ao povoado da Palateia, na Barra de São Miguel. E o bom estava por vir: acompanhar os estudantes de gastronomia, sob o comando da chef e coordenadora da Uninassau Mariana Bernardes, com o objetivo de experimentar como é a vida da comunidade que sobrevive do cultivo das ostras, sururu, maçunim e pesca.

A beleza do manguezal da Palateia
Literalmente, os futuros gastrônomos colocaram não só os pés na lama, mas também as mãos para catar maçunim, lambreta e sururu, além, claro, de colher as ostras. Enfim, conhecer a origem de como os pescados chegam até a cozinha dos restaurantes.

O barquinho foi o banco da sala de aula na Lagoa do Roteiro para conhecer o cultivo das ostras
O legal foi a integração com a comunidade. As compras dos ingredientes foram feitas no próprio mercadinho do povoado, bem como os pescados. Para a coordenadora Mariana Bernardes, entusiasta da gastronomia alagoana, a aula prática na comunidade é um aprendizado único.
Depois do passeio pela lagoa, até o cultivo de ostras, os estudantes comandaram a cozinha da creche da comunidade. E assim começou o festival de ralar coco, tratar peixe, limpar sururu, cortar legumes e criar as receitas com os próprios ingredientes da localidade. Até o maracujá do sitio do Recanto da Palateia (futura casa de eventos) entrou na história.

Pescador retira o sururu das mesas das ostras
Os quitutes das águas doces foram compartilhados com pessoas da comunidade, funcionários da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos e estudantes. Para fechar com chave de ouro, os estudantes doaram livros infantis e a cozinha da creche foi entregue como estava antes, limpa e bem cuidada.
No final da postagem tem receitas, embora, nem todos enviaram, mas como jornalista posso afirmar que a experiência foi válida. Grata a Mariana Bernardes pelo convite de entender um pouco mais de como se faz uma boa cozinha alagoana.

Passadas as picadas, é apreciar a beleza do mangue e os milhares de caranguejos velozes
Fique ligado:
A participação dos estudantes de Gastronomia da Unisnassau integrou a programação do Festival Cultural das Águas (Governo de Alagoas, Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Sebrae, e prefeitura de Barra de São Miguel).

Cerca de 100 famílias cultiva os moluscos na Vila da Palateia. Cada mesa comporta 1.200 sementes.

Seis meses é o tempo ideal para o consumo, quando o tamanho do crustáceo chega a 8 cm

Porto de Palateia
O porto da Vila Palateia é lama no começo, portanto é o paraíso dos maruins. Para ir até lá, recomendável um banho de repelente, calça comprida e pernas pra que te quero.

Professoras da Uninassau: Déborah Cavalcante e Mariana Bernardoes (coordenadora) Palateia

Marilene Alves da creche da Palateia, trocou o sertão pela riquesa natural Barra de São Miguel

Mercadinho da Vila da Palateia

Sitio “Recanto da Palateia”, parada estratégia para tomar sucos de frutas. Só atende com reserva
“Ostras Depuradas”: Projeto da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid), juntamente com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), que implementaram uma unidade de depuração em Coruripe para que o molusco com selo de qualidade para chegar no mercado de restaurantes.

Maçunim da Palatéia
Receitas

Cocada, receita de Ana Lins
Cocada mole de coco com pimenta de cheiro
1 lata de leite condensado/ 1 coco ralado/ 1 colher de sopa de manteiga ou margarina/ 1 ovo/ 1 pitada de sal/ Cravo e canela à gosto/ 2 pimentas de cheiro cortadas em rodelas finas/ 1/2 cx de creme de leite
Leve ao fogo todos os ingredientes misturados (menos a pimenta e o creme de leite), mexendo sempre até começar a engrossar. Acrescente então a pimenta, misture bem e, por ultimo, coloque o creme de leite. Tire do fogo, misture bem.
OBS.: Sirva quente com sorvete de tapioca e mel de engenho.

Escabeche ao molho agridoce de maracujá. Receita de Edwania e Karol
Ingredientes:
1,5 de peixe/ 2 cebolas/ coentro/ cebolinha/ hortelã/ pimentas dedo de moça, caiana e calabresa/ 100ml de mel/ 3 maracujá grande/ 250ml de leite
Como fazer:
Filetar o peixe. Temperar com sal e pimenta e hortelã.
Com as sobras do peixe (cabeça, pele, espinhas e rabo), refogar com cebola, alho, coentro, pimentão, cebolinhas e as pimentas. Depois acrescentar água e leite para fazer o caldo.
Molho:
Em uma panela, coloque cebola com manteiga até ficar transparente, acrescente mel e a polpa de macacujá e deixe reduzir.
Doure o filé de peixe. Quando estiver quase pronto, jogue por cima o molho e deixe no fogo por três ou quatro minutos.

Salada de ostras

Sururu com castanha

Espaguete com maçunim no azeite

Peixada

Feijão tropeiro de moluscos da Palateia

. A equipe do Festival Cultural das Águas com os estudantes da Uninassau

A mestra Mariana e seus alunos de gastronomia da Uninassau, todos lindamente com a doma

O passeio começa pela trilha de lama do mangue na Palateia
Quem foi pra cozinha: Adriana, Edwania, Rosiane,Laís, Tatiane, Manu, Mary, Rosecleide, Maria Lúcia , Mercia, Karol, Ana Maria,Silvia,Helen Nayara, Jairo, Jonhnatan
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3 comentários
Artur
8 anos Atrás
Excelente matéria, Nide! Parabéns a você, à colega Mari Bernardes pela iniciativa. Só divulgando o engajamento da comunidade local, vamos conseguir desenvolver e valorizar o belo trabalho destas pessoas.
Saúdo Buarque da Silva
8 anos Atrás
Uma experiência ímpar. Um povo acolhedor e de uma simplicidade cativante, provando que trabalhar dignifica o homem. Parabéns pela matéria e as fotos publicadas. A Coordenadora do Curso de Gastronomia da Nas saudades, chef Mariana, no caminho certo.
NELMA BARROS
8 anos Atrás
Ontem no seu IG disse que iria ver essa matéria, e somente uma palavra descreve isso: Sensacional. Amo frutos do mar e agora recuperada de uma delicada cirurgia posso usufruir sem culpa. Não sou boa cozinheiras mas gostei das receitas e vou tentar reproduzi-las. Aguardo outras matérias deliciosas. Obrigada Nide Lins